Tuesday, March 31, 2009

Bullying...

Na segunda-feira, em reunião de avaliação com os docentes da escola apercebemo-nos que ainda há professoras que não entendem na totalidade o significado de bullying ou não estão despertas para ele. (A própria Comissão Parlamentar de Educação e Ciência negou em outubro passado a existência de bullying nas escolas portuguesas.)
A minha colega de Inglês tinha anteriormente reportado uma situação numa turma em que dois alunos em particular provocam constantemente uma das colegas, chamando-lhe "bruxa", evitando qualquer tipo de contacto, festejando até o facto de ela partilhar que possivelmente teria que saír da escola. A professora disse nunca se ter apercebido de tal coisa, pelo que fez um teste com eles, vindo a "descobrir" que apenas 3 alunos não gostavam da colega em questão. "Afirmar que se trata de bullying é exagerado, porque não estamos a falar da turma toda contra ela. São só 3." Ora, apesar da boa vontade da colega em tentar perceber a questão e os porquês, esquece-se de que o bullying não precisa ser praticado pela turma inteira. Pode tomar muitas formas e normalmente, limita-se a dois ou três elementos que provocam alguém em particular, on a regular basis. Isso sempre aconteceu nos mais variados contextos.

No 1º ciclo talvez será prematuro falar de estatísticas (confesso que ainda não as encontrei para portugal) talvez pelo facto das vítimas muitas vezes sofrerem em silêncio e com medo de represálias caso reportem as situações a alguém. Curiosamente, no Público do mesmo dia vinha um artigo sobre a temática. Fiquei a saber que há uma linha de apoio às vítimas deste "fenómeno" (Linha Bullying 808968888). Ao que parece também funciona para pais ou professores que precisam de estratégias para agir.
Há situações da infância que me ficaram gravadas na memória. Lembro-me de que na 1ª classe (pois, ainda não se chamava 1º ano) havia já muita crueldade. Havia uma menina que andava sempre sozinha no recreio. Lembro-me nitidamente de vê-la dançar, rodopiar e cantar sozinha. Um certo menino chegou a forçá-la a comer relva. Havia os rapazes que pegavam num outro menino pelas pernas e braços e lhe davam murros e pontapés. É incrível como crianças tão pequenas podem ser tão cruéis. É incrível, mas não é nada de novo. Na maioria dos casos, as pessoas que praticam este tipo de crueldades (que muitas das vezes nem são tão óbvias) têm complexos de vária ordem e vêem nestes actos oportunidades de mostrar superioridade perante alguém que consideram mais fraco.
A Luci e eu decidimos agir mais activamente em relação a esta questão, numa turma em particular. Queremos elaborar um plano de acção, apostar em jogos e actividades que promovam o espírito de equipa, o respeito pelas diferenças e características distintivas de cada um. Essa é uma das tarefas para estas férias. Se alguém acha que pode contribuir com alguma achega, alguma inspiração ou experiência pessoal será bem recebido.

Para lerem sobre o bullying, passem por aqui, aqui, aqui ou aqui, por exemplo.

8 comments:

Mila said...

Olá Sara,

sou investigadora na área do bullying. Se precisares de ajuda diz.

BJX

zarah said...

boa! obrigada!

Na Lua da Alice said...

Acho fantástica essa iniciativa. arrepia-me pensar sequer que a minha filha possa passar por isso. Acho que não aguentava esse sofrimento. Vou ficara a acompanhar o teu projecto.
Boa sorte.
Yolanda

Rute Carla said...
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Rute Carla said...

Tb fui em alvo em pequena, na escola. Não de forma constante nem por uma turma inteira, mas com alguma regularidade por uma, duas meninas. Conheço bem os sentimentos que tais coisas provocam e em como nos marcam. Custa-me muito saber ou ver alguém passar pelo mesmo ou bem pior. Vou tentar pensar em algo que possa ajudar, sis. Tb partilho um pouco do mesmo receio do comentário acima, ao pensar que os meus filhotes poderão passar por algo semelhante.

Anonymous said...

http://doidavarrida.bloguedoido.com/8315/Bullying-IV/

Este link tem algumas dicas para reconhecer casos de bullying, de intervenção e prevenção.

Fizeste bem escrever sobre este tema, Sara. Os portugueses parecem não querer crer que existe, sim, bullying, na nossa comunidade educativa. É certo que sempre houve fanfarrões nas escolas. Só que antigamente as medidas disciplinares eram levadas a sério e a cabo, o que actualmente não acontece. Há, inclusive, um regulamento de deveres e obrigações do professor, aluno e encarregados de educação, estipulado pela DREL, do qual a maioria das escolas e agrupamentos nem querem saber, arquivando a maioria dos relatórios de ocorrências.

Lucy

Anonymous said...
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